Início › Guias › Imigração e AIMA
Visto nómada digital Portugal 2026 (D8): requisitos e valor
O visto de nómada digital — frequentemente chamado D8 — permite viver em Portugal enquanto trabalha remotamente para empresas ou clientes de outros países. Existe desde outubro de 2022 e é um dos vistos mais procurados por profissionais de tecnologia, marketing e design.
Oficialmente chama-se «visto de residência para o exercício de atividade profissional prestada de forma remota para fora do território nacional». A sigla «D8» não aparece no site do MNE e alguns centros de pedidos usam outra designação; confirme sempre o motivo do visto.
Residência ou estada temporária?
| Visto de residência | Visto de estada temporária | |
|---|---|---|
| Duração | Mais de 1 ano | Menos de 1 ano |
| Depois de entrar | Pede autorização de residência na AIMA | Não dá título de residência |
| Para quem | Quer viver em Portugal | Quer passar uma temporada |
Quais são os requisitos?
Segundo o MNE, além da documentação geral:
| Requisito | Trabalho subordinado (empregado) | Trabalho independente (freelancer) |
|---|---|---|
| Prova do vínculo | Contrato de trabalho ou declaração do empregador | Contrato de sociedade, contrato de prestação de serviços ou documento de serviços prestados |
| Rendimento | Média mensal dos últimos 3 meses ≥ 4 salários mínimos | Igual |
| Residência fiscal | Documento que ateste a residência fiscal | Igual |
Quanto é o rendimento mínimo em 2026?
A retribuição mínima mensal garantida em 2026 é 920 € (Decreto-Lei n.º 139/2025). Logo:
4 × 920 € = 3 680 € por mês (média dos últimos três meses).
O MNE não especifica, para este visto, se o rendimento é aferido em valor bruto ou líquido, nem exige expressamente um saldo bancário mínimo. Confirme com o consulado ou centro de pedidos antes de submeter.
Documentação geral (MNE):
- Requerimento e duas fotografias
- Passaporte válido por mais 3 meses além da estada
- Seguro de viagem (dispensável com acordos como o PB4 do Brasil)
- Registo criminal apostilado
- Comprovativo de situação regular no país onde pede
Passo a passo
- Junte 3 meses de comprovativos de rendimento (recibos, extratos, faturas).
- Peça o NIF e, se possível, abra conta em Portugal.
- Garanta alojamento em Portugal (arrendamento ou outro).
- Submeta o pedido no consulado ou prestador externo, via pedidodevistos.mne.gov.pt. Taxa: 110 €.
- Aguarde — prazo legal de 60 dias (visto de residência) ou 30 dias (estada temporária).
- Entre em Portugal e, no caso do visto de residência, compareça na AIMA com passaporte e visto para pedir a autorização de residência (art. 88.º, n.º 1 conjugado com os arts. 42.º-G e 42.º-H do Decreto Regulamentar n.º 84/2007).
- Receba o título de residência, válido por dois anos.
E os impostos?
Quem passa mais de 183 dias em Portugal ou cá tem habitação permanente torna-se, em regra, residente fiscal, e passa a declarar os rendimentos em Portugal. Se for freelancer, pode ter de abrir atividade e inscrever-se na Segurança Social (NISS).
O enquadramento fiscal e contributivo depende do seu caso (tipo de contrato, país do empregador, acordos de dupla tributação e de Segurança Social). Antes de se mudar, confirme no Portal das Finanças e na Segurança Social ou com um contabilista certificado.
Posso trazer a família?
Sim. Os familiares podem pedir, ao mesmo tempo e no mesmo consulado, o visto de residência para acompanhamento de titular de visto de residência. O MNE pede prova dos laços familiares e de recursos suficientes para todo o agregado, por 12 meses ou pela duração da estada, se for menor.
Se a família vier depois, aplica-se o reagrupamento familiar, que desde 2025 exige, em regra, dois anos de autorização de residência (com exceções, por exemplo para filhos menores).
Que comprovativos de rendimento funcionam melhor?
- Empregados: os três últimos recibos de vencimento e extratos bancários onde se veja o salário a entrar.
- Freelancers: faturas dos últimos três meses, contratos com clientes e extratos que mostrem os pagamentos recebidos.
- Sócios de empresa: contrato de sociedade e prova da remuneração ou distribuição de lucros.
Todos os documentos em língua estrangeira devem vir traduzidos, se o consulado o exigir.
Erros comuns
- Usar rendimentos de fonte portuguesa. O visto é para trabalho prestado para fora de Portugal.
- Média abaixo do limiar num dos três meses, sem compensação nos outros.
- Contrato sem menção a trabalho remoto ou declaração do empregador demasiado genérica.
- Esquecer a prova de residência fiscal no país atual.
- Usar valores de anos anteriores. O limiar sobe todos os anos com o salário mínimo.
Para continuar
- Tipos de visto para Portugal
- Visto D7 — se vive de rendimentos passivos
- Visto de trabalho
- Chave Móvel Digital
Perguntas frequentes
Qual é o rendimento mínimo para o visto de nómada digital em 2026?
Quatro vezes a retribuição mínima mensal garantida, em média nos últimos três meses. Com o salário mínimo de 920 € em 2026, são 3 680 € por mês.
Posso trabalhar para empresas portuguesas com este visto?
O visto destina-se a atividade prestada de forma remota para fora do território nacional. Para trabalhar para empresas portuguesas, deve pedir um visto de trabalho.
Freelancers podem pedir?
Sim. Para atividade independente, o MNE aceita contrato de sociedade, contrato de prestação de serviços ou documento que demonstre serviços prestados a uma ou mais entidades.
Quanto tempo vale a autorização de residência?
Segundo a AIMA, dois anos a partir da emissão, renovável por períodos sucessivos de três anos.
O D8 é a mesma coisa que o visto de nómada digital?
D8 é a designação usada informalmente; oficialmente é o visto de residência para exercício de atividade profissional prestada de forma remota para fora do território nacional.